Qual a necessidade de se estudar teologia? A teologia parece esfriar o crente, tornando ele racional e questionador de mais. Muitas pessoas acreditam que ler a Bíblia e amar a Jesus já é suficiente. Ainda há o fato das várias denominações que surgiram e surgem por causa de discordâncias teológicas. Então será que há uma necessidade real da teologia? Millard Erickson sugere três razões para que a resposta a essa pergunta seja “sim”.
As crenças doutrinárias corretas são essenciais para o relacionamento entre o crente e Deus
Uma delas é a crença na existência e no caráter de Deus. O escritor aos Hebreus, no capítulo 11, após mencionar alguns homens que, pela fé, agradaram a Deus, afirma: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam” (v. 6). Sem esses dois elementos de crença, uma pessoa não tentaria se aproximar de Deus.
A crença na divindade de Jesus é outra crença essencial. Em Mateus 16.13, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem os outros dizem que é o Filho do Homem?” Após algumas respostas, ele pergunta: “E vocês, quem dizem que eu sou?” (v. 15). Pedro prontamente responde: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v. 16) e encontrou a retumbante aprovação de Jesus (v. 17).
Semelhantemente, a humanidade de Jesus também é importante. 1João foi escrito para combater os ensinamentos daqueles que diziam que Cristo não havia vindo em carne. Essa heresia, conhecida como docetismo, afirmava que Jesus tinha apenas aparência de ser humano. Por isso o apóstolo João escreve: “Nisto vocês reconhecem o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa isso a respeito de Jesus não procede de Deus” (1Jo 4.2-3).
Por fim, Paulo vincula a crença na ressurreição de Cristo (evento histórico e doutrina) à experiência de salvação: “Se com a boca você confessar Jesus como Senhor e em seu coração crer que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo. Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa para a salvação” (Rm 10.9-10). Esses são apenas alguns exemplos da importância da crença correta. A teologia, que se ocupa de definir e estabelecer a crença correta, é consequentemente importante.
A verdade e a experiência estão relacionadas
A verdade afetará nossa experiência a longo prazo. Uma pessoa caindo do décimo andar de um prédio pode gritar ao passar por cada janela na descida: “Estou indo bem”, e pode crer nisso sinceramente, mas eventualmente os fatos da questão alcançarão sua experiência.
Podemos viver alegres por horas e até mesmo dias após alguém próximo falecer sem que percebamos, mas uma hora a verdade virá com um efeito esmagador sobre nossa experiência.
Uma vez que o significado e a verdade da fé cristã acabarão tendo um impacto final em nossa experiência, devemos enfrentá-los.
Há um grande número de alternativas e desafios à crença lá fora
Vemos os ensinamentos seculares como o humanismo, que faz do ser humano o maior objeto de valor, e o método científico que busca a verdade sem recorrer à revelação de um ser divino.
Outras religiões agora competem com o cristianismo, mesmo em uma civilização ocidental supostamente segura. A religião oriental agora também está desafiando o domínio virtualmente exclusivo do cristianismo. O Islã está crescendo rapidamente outras numerosas quase religiões fazem seu apelo.
Inúmeros sistemas de autoajuda psicológica são defendidos. As seitas não se restringem às variedades de grande nome (por exemplo, as Testemunhas de Jeová, o Mormonismo): numerosos grupos, alguns dos quais praticam lavagem cerebral e controle mental, agora atraem indivíduos que desejam uma alternativa ao cristianismo convencional. A solução para essa confusão não é meramente determinar quais visões são falsas e tentar refutá-las. Mercadoria autêntica é estudada para reconhecer falsificações. Da mesma forma, a compreensão correta dos ensinamentos doutrinários do cristianismo é a solução para a confusão criada pela miríade de requerentes à crença.
Adaptado do primeiro capítulo da Teologia Sistemática de Millard Erickson.



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