Na semana passada, postamos na nossa série “Bases da Fé Cristã” um artigo a respeito da eleição a partir do ponto de vista calvinista, que você pode conferir aqui. Como prometido, segue agora a visão arminiana do assunto.
Ao contrário do que alguns calvinistas podem pensar, os arminianos não negam a doutrina da eleição, pois a mesma é um ensinamento bíblico. Eles apenas a interpretam de modo diferente. O debate, portanto, não é sobre a existência da doutrina, mas sim como ela opera.
A Eleição é segundo a Presciência de Deus
Com base em textos como Romanos 8.29 e 1Pedro 1.2, os arminianos interpretam a eleição como ocorrendo com base na presciência de Deus. A presciência de Deus é o seu conhecimento de antemão de todas as coisas, um corolário de seu atributo de onisciência.
Assim, Deus conhece de antemão a decisão de cada pessoa em relação ao Evangelho e, com base nisso, ele predestina as pessoas para a salvação ou condenação.
A Eleição é Corporativa, não Individual
Deus, antes da fundação do mundo, elegeu um grupo (igreja) para ser salvo (Ef 1.4). Mas ele não pré-ordenou individualmente quem faria parte deste grupo. Em outras palavras, todos têm a liberdade de optar livremente por fazer ou não parte da igreja que está predestinada a ser salva.
Os arminianos entendem que as ocorrências no plural do termo “predestinação” nas Escrituras (Rm 8.29-30; Ef 1.5,11) mostram que Deus escolheu um grupo. (Israel no AT e igreja no NT) e não as pessoas desse grupo. Deste modo, a predestinação tem um significado pessoal (presciência de escolhas individuais) e um significado coletivo (eleição de um povo).
Eleição e Predestinação não são sinônimos
Alguns arminianos não entendem a eleição e a predestinação como se referindo à mesma coisa. A eleição seria a escolha condicional de Deus para a salvação, no passo que a predestinação o que Deus fará aos eleitos. A primeira é condicional, a última é incondicional. A predestinação de Deus de pessoas é condicionada pela fé destas; a eleição de Deus de um povo para sua glória é incondicional. A última englobará todos os que creem.
A Graça Preveniente
Calvinistas e arminianos concordam com a doutrina da Depravação Total do ser humano e que, sem atividade divina, o homem não tem a capacidade de escolher a Deus, estando inclinado para o pecado. Devido a essa inclinação, faz-se necessária uma ação graciosa da parte de Deus preparando o homem a tomar uma decisão em relação ao evangelho e à ação do Espírito Santo. A essa ação graciosa é dado o nome de graça preveniente, ou preventiva.
A graça preveniente seria uma capacitação da parte de Deus ao ouvinte do Evangelho que lhe proporciona compreender a mensagem de Cristo e assim, previamente preparado, possa fazer sua escolha, livre de determinações.
Contudo, essa escolha não se caracterizaria como mérito da parte do ser humano, nem faz dele um salvador de si mesmo. A salvação advém de Deus, e pertence somente a Deus. Tendo a graça preveniente liberto a consciência do ser humano das más influências, o ser humano encontra-se numa condição capaz de posicionar-se ante ao apelo da mensagem do Evangelho.
Conclusão
Os arminianos entendem a eleição divina como resultado da escolha que Deus previu que o homem faria. Deus escolheu um grupo para ser salvo, mas dota cada indivíduo com a capacidade para escolher livremente fazer ou não parte deste grupo. A eleição seria assim definida como o plano corporativo e condicional de Deus que abrange toda a humanidade, mas de tal modo que apenas os crentes usufruem dos seus benefícios salvíficos.
É importante também destacar que, assim como os calvinistas, os arminianos também precisam admitir um elemento de mistério em seu sistema de interpretação. A ideia de Deus saber o que o homem escolherá (presciência) com a ideia de que o homem é livre para escolher (livre arbítrio) consistem em ideias aparentemente irreconciliáveis da mesma forma que a soberania de Deus e a responsabilidade humana no calvinismo.
Tudo isso só mostra que por mais sincero que um sistema seja, ele é incapaz de comportar a mente de Deus. Todo sistema é falho porque Deus não é um sistema. Podemos ir apenas até onde Deus nos revelou. Por isso é preciso dos dois o lados o reconhecimento da limitação de seu sistema teológico, e que no fim somos todos irmãos tentando servir a Deus mesmo em meio às nossas limitações e imperfeições.
Literatura para estudos futuros
Arminianismo puro e simples: Uma introdução histórico-teológica (Ebook)
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